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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Os jesuítas introduziram o cristianismo no Japão
e as boas fábulas portuguesas foram adaptadas para o
budismo local. Ou vice-versa. Essa fábula é uma
delas.
Há muitos e muitos anos, havia uma velha muito sovina
e egoísta. Guardava tudo para si e não dividia
nada com ninguém. Dizia que era para comprar um lote
no paraíso. A velha morreu. Descobriu que o dinheiro
que ela guardara ficou no mundo dos vivos. Desconsolada, lamentava
a sua sorte.
Que tristeza! Cá estou, sem nada, aguardando
para entrar no inferno. E, ainda por cima, essa fila enorme!
De tanto se lamentar, Bhuda a ouviu e:
Velha! Quando em vida você fez alguma boa ação?
A velha relutou. Por mais que lembrasse, não recordou
nenhum ato de humanidade.
Então, velha, nada mesmo? Não posso fazer
nada pela senhora!
Foi então que, buscando no fundo da memória,
ela lembrou de um único ato que remetia à bondade:
Ah! Há muito tempo, dei um pedaço de cenoura
para um pedinte!
Seria este pedaço? Bhuda materializou um
toco de cenoura murcha. Pois bem, será a sua passagem
para o Paraíso! Segure-se bem nele e ele lhe levará
ao meu reino!
A velha agarrou o pedaço de cenoura, que começou
a subir. Também outras almas se agarraram nas pernas
da velha. Dezenas, centenas de almas se elevando...
Não! Esta maldita cenoura não irá
agüentar tanto peso! Saiam! Afastem-se de mim! e
começou a debater as pernas. As almas caíram uma
a uma. Quando a última alma despencou, o pedaço
de cenoura explodiu em mil pedaços. A velha espatifou-se
no chão do inferno.
A frágil cenourinha carregaria todas as almas
do inferno se o egoísmo humano permitisse lamentou
Bhuda É uma pena!
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