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Sexta-feria, 30 de julho de 2010

O olho gordo
Várias coisas mudaram nos tempos atuais. A comodidade muitas vezes virou novos problemas
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

O olho gordo, ou olho-grande não é apenas uma crença popular: acontece mesmo. Muitas vezes sem que a pessoa saiba que possui olho de secar pimenteira. Você já deve ter presenciado fatos como: vêm diversas pessoas visitar o bebê recém-nascido e acontece de a criança pegar quebranto. E só sarava quando ela era levada a uma benzedeira.

Os adultos também pegam olho-grande. Meu irmão mais velho sempre foi um rapaz bem apessoado, admirado pelas garotas. Foi nos anos 50, há muito tempo, quando alguém botou olho gordo nele: apareceu um cobreiro no seu rosto. Esse cobreiro foi crescendo, crescendo. Meu irmão foi à farmácia, usou todo o tipo de pomadas; foi aos médicos: nada! Nenhum medicamento surtia efeito: o cobreiro já tomava metade da sua face.

Como último recurso, o mano procurou uma benzedeira. Com um galho de arruda, a benzedeira pronunciou uma reza e benzeu meu irmão. Aos poucos, o cobreiro foi se reduzindo, até sumir por completo

Essa benzedeira era uma senhora de cor. Conhecia a cura pelas ervas. No meu tempo de criança, não existia posto de saúde, somente as santas casas, o vereador não era remunerado e o ensino público era ótimo. O povo fazia compras no armazém com a caderneta: não havia cartão de crédito. A vida era mais fácil.

Muita coisa mudou nos tempos atuais. A comodidade muitas vezes virou novos problemas, veja, por exemplo, os longos congestionamentos de carros. Todo mundo quer ser vereador, não para servir a comunidade, mas para benefício próprio. O ensino público está deteriorado. A saúde está à beira do caos. E ninguém está seguro em sua própria casa.


*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

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Criança não é bonsai
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