|
(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
O
olho gordo, ou olho-grande não é apenas uma crença
popular: acontece mesmo. Muitas vezes sem que a pessoa saiba
que possui olho de secar pimenteira. Você já deve
ter presenciado fatos como: vêm diversas pessoas visitar
o bebê recém-nascido e acontece de a criança
pegar quebranto. E só sarava quando ela era levada a
uma benzedeira.
Os
adultos também pegam olho-grande. Meu irmão mais
velho sempre foi um rapaz bem apessoado, admirado pelas garotas.
Foi nos anos 50, há muito tempo, quando alguém
botou olho gordo nele: apareceu um cobreiro no seu rosto. Esse
cobreiro foi crescendo, crescendo. Meu irmão foi à
farmácia, usou todo o tipo de pomadas; foi aos médicos:
nada! Nenhum medicamento surtia efeito: o cobreiro já
tomava metade da sua face.
Como
último recurso, o mano procurou uma benzedeira. Com um
galho de arruda, a benzedeira pronunciou uma reza e benzeu meu
irmão. Aos poucos, o cobreiro foi se reduzindo, até
sumir por completo
Essa
benzedeira era uma senhora de cor. Conhecia a cura pelas ervas.
No meu tempo de criança, não existia posto de
saúde, somente as santas casas, o vereador não
era remunerado e o ensino público era ótimo. O
povo fazia compras no armazém com a caderneta: não
havia cartão de crédito. A vida era mais fácil.
Muita
coisa mudou nos tempos atuais. A comodidade muitas vezes virou
novos problemas, veja, por exemplo, os longos congestionamentos
de carros. Todo mundo quer ser vereador, não para servir
a comunidade, mas para benefício próprio. O ensino
público está deteriorado. A saúde está
à beira do caos. E ninguém está seguro
em sua própria casa.
|