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Sexta-feria, 30 de julho de 2010

Amizade
Que triste reputação teríamos, se não tivéssemos amigos que nos defendessem de golpes
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

Nada há mais belo no mundo do que a certeza de possuir amigos leais, prestimosos, cuja afeição não seja influenciada nem pela fortuna, nem pela pobreza, amigos que ainda nos amem mais na adversidade do que na prosperidade! A fé na amizade é um estímulo constante. Quanto nos vivifica e anima sentir que alguns amigos têm absoluta confiança em nós, quando outras pessoas não nos compreendem e nos acusam?

Cícero dizia com razão: “Os que arrancassem da vida a amizade fariam o mesmo que se tirassem o sol ao mundo, porque não recebemos dos deuses imortais nada melhor nem dom mais delicioso”.

Que benefício termos amigos entusiastas, que se ocupam dos nossos interesses, trabalham constantemente por nós, nos dizem palavras alentadoras, quando nos sentimos indecisos ou desanimados; suportam as nossas más disposições, procurando dissipá-las, e as nossas impertinências; que nos defendem na ausência, ocultam as nossas fraquezas; que contêm e desfazem as maledicências; que destroem as mentiras que nos possam prejudicar; que desvanecem as falsas impressões; que tentam manter-nos no bom caminho; que compensam todos os prejuízos causados por qualquer erro cometido ou por alguma impressão má, produzida num momento desfavorável, estando sempre dispostos a auxiliar-nos e a alentar-nos!

Que pobre figura faríamos quase todos, se não tivéssemos amigos!

Que triste reputação teríamos, se não tivéssemos amigos que nos defendessem de golpes e nos dessem bálsamos para as feridas cruéis feitas pelo mundo! Muitos de nós seríamos também muito pobres financeiramente, se os nossos amigos não nos enviassem clientes e não nos proporcionassem trabalho, favorecendo-nos com todo o seu prestígio. Oh, que benefícios proporcionam os nossos amigos, corrigindo as nossas idiossincrasias, combatendo as nossas fraquezas, procurando remediar as nossas faltas! Como eles sabem cobrir com o manto da sua caridosa dedicação os nossos erros e defeitos!

Como este mundo seria triste e álgido, ermo, insípido, estúpido, sem os amigos que crêem em nós, quando todos os outros nos acusam; amigos que nos estimam não pelo que temos, mas pelo que somos!


*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

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