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Sexta-feria, 30 de julho de 2010

Os livros
Obras-primas de literatura, que há mais de um século só podiam ser compradas
pelos ricos, encontram-se nos lares mais humildes hoje
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

Os bons livros prolongam e iluminam a existência de inúmeras pessoas.
Talvez nada tenha tanto poder como os livros, para levantar o pobre acima da sua pobreza, o miserável acima da sua miséria; para aliviar os sofrimentos dos enfermos e as angústias do infeliz; para arrancar à objeção quem nela se despenhou.

São os livros os amigos dos solitários, os companheiros dos abandonados, um reconforto para os desalentados e infelizes, um auxílio para os desamparados. Dá luz às trevas, sol à sombra.

Quantos miseráveis e desprezados não têm encontrado, na deleitosa leitura de um bom livro, um alento e uma luz reconfortante que lhe iluminou o espírito, afugentando os pensamentos sinistros.

Falamos muito da carestia da vida. Todavia, nunca os pobres puderam obter por tão pouco dinheiro as coisas essenciais à sua existência e até o que outrora era considerado como objeto de luxo.

Nunca se venderam tão modicamente as produções dos grandes espíritos. As obras-primas de literatura, que há mais de um século só podiam ser compradas pelos ricos, encontram-se nos lares mais humildes hoje . A imprensa põe as riquezas literárias ao alcance dos mais pobres.

Quantos homens e mulheres lastimam-se pelas infelicidades da sua vida, sentem-se deprimidos, isolados da sociedade e lamentam não ter visto o mundo, ou não terem gozado a convivência dos que realizam obras de valor!

Por mais que surjam novas modalidades de leitura, o livro escrito nunca acabará. O homem mais humilde pode chamar Shakespeare ou Emerson para a sua modesta casinha. Quem possui uma centena de livros escolhidos tem cem portas abertas sobre perspectivas de infinita alegria.


*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

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