|
(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Ninguém
envelhece, enquanto não perder o interesse pela vida,
enquanto o seu espírito não envelhecer, enquanto
o seu coração não se tornar frio e indiferente.
Enquanto estiver em contato com a vida em muitos pontos, o espírito
não se torna velho.
Viver
sem envelhecer, sentir-se ativo e seguro para tudo o que representa
vigor de espírito e frescura de sentimentos depois,
quando vier o fim, achar, nas profundezas da alma, a confiança
dos anos decorridos e adormecer suavemente com uma firme esperança;
não é isto uma sorte invejável?
A
mocidade não pode compreender porque é que o terminar
do dia não tem aquela impetuosa alegria da manhã;
têm cores mais ricas e mais finas. O pôr-do-sol
é tão belo e, às vezes, mais glorioso do
que o nascer.
O
terminar da vida pode ser tão belo e grande como o seu
início.
A idade tem os seus prazeres.
Se
a vida foi bem vivida, as reminiscências são belas;
e as satisfações, consoladoras.
Realmente,
o que pode dar maior prazer do que contemplar uma vida bem empregada,
útil e belamente vivida?
Quando
chegamos ao porto da velhice, após uma rude passagem
sobre um mar tempestuoso, há um sentimento de repouso,
de triunfo, de segurança. Diz-se que os que vivem
muito esperam muito. Se conservar a sua esperança
bem viva, apesar dos desânimos, e encarar todas as dificuldades
com fisionomia risonha, os anos dificilmente deixarão
vestígios em vossas faces. O elixir da mocidade, que
os alquimistas tanto tempo procuraram na química, está
em nós mesmos.
Uma
dignidade suave, um repouso pacífico, uma expressão
calma são as características das pessoas que gozaram
o que havia de bom e belo no tempo em que viveram.
|