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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Nos
anos 50, a diversão da mocidade nissei era corresponder-se
por meio de cartas. Bons tempos. Eu mesmo me correspondi com
várias garotas de cidades diferentes. Tudo era muito
romântico. A Bauru Radio Clube, na sua programação
noturna, incluía um programa para a colônia cheio
de notícias e muita música. Todas as canções
eram oferecidas a alguém.
Muita
gente iniciou o namoro por meio da coluna sentimental. Comecei
a correspondência com Telma, de Bauru, pela Bauru Radio
Clube. No primeiro ano, recebi uma foto sua: uma nissei linda.
E ela queria uma foto minha.
Pedi
a meu irmão que tirasse algumas fotos minhas com a sua
Kapsa, uma máquina fotográfica tipo reflex
caixão. As fotos ficaram boas, tão boas,
que apareceram as espinhas inflamadas nas maçãs
do rosto. Que fazer? Se houvesse computador naquela época,
seria fácil corrigir as imperfeições. Fiquei
num dilema. Meu mano e eu tínhamos certa semelhança.
Ele era muito mais bonito que eu.
Então,
tive uma ideia magnífica: mandaria a foto do mano dizendo
que era eu. E assim foi. Depois de algum tempo, suas cartas
pararam. No começo, pensei que haviam sido extraviadas.
Três meses depois, quase no início de férias
escolares, recebi uma carta da Telma. Convidava-me a passar
um fim de semana, nas férias, com a família dela.
Era uma carta bem formal, mas não liguei. E fiquei aguardando,
com ansiedade, o fim de semana que passaria com ela em Bauru.
No
dia marcado, lá estava eu, na rodoviária de Bauru,
procurando a figura de Telma entre a multidão. Nada.
O tempo foi passando, e eu cada vez mais apreensivo. Já
estava quase desistindo, quando uma senhora se aproximou de
mim e chamou o meu nome.
O
semblante de seu rosto era de tristeza. Contou-me a triste sina
de Telma. Ela se fora meses antes, pois era cadeirante e sofria
de leucemia. Ainda bebê, tivera paralisia infantil. Ela
sempre falava de mim, o seu primeiro amor. Por isso, os pais
dela fizeram questão de me convidar a passar um fim de
semana na casa que fora dela.
Fiquei
no quarto que lhe pertencera. Vi seus objetos. No diário,
narrava a felicidade de ter me conhecido. Chorei muito.
Daquela
data em diante, morria também um adolescente e nascia
um homem. Eu, preocupado com as aparências, com as espinhas,
enquanto ela... A última carta havia sido escrita em
seu nome pela mãe.
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