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Sexta-feria, 10 de setembro de 2010

A transformação do adolescente em homem
No dia marcado, lá estava eu, na rodoviária, procurando-a entre a multidão. O tempo foi passando, e eu cada vez mais apreensivo...
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

Nos anos 50, a diversão da mocidade nissei era corresponder-se por meio de cartas. Bons tempos. Eu mesmo me correspondi com várias garotas de cidades diferentes. Tudo era muito romântico. A Bauru Radio Clube, na sua programação noturna, incluía um programa para a colônia cheio de notícias e muita música. Todas as canções eram oferecidas a alguém.

Muita gente iniciou o namoro por meio da coluna sentimental. Comecei a correspondência com Telma, de Bauru, pela Bauru Radio Clube. No primeiro ano, recebi uma foto sua: uma nissei linda. E ela queria uma foto minha.

Pedi a meu irmão que tirasse algumas fotos minhas com a sua Kapsa, uma máquina fotográfica tipo “reflex caixão”. As fotos ficaram boas, tão boas, que apareceram as espinhas inflamadas nas maçãs do rosto. Que fazer? Se houvesse computador naquela época, seria fácil corrigir as imperfeições. Fiquei num dilema. Meu mano e eu tínhamos certa semelhança. Ele era muito mais bonito que eu.

Então, tive uma ideia magnífica: mandaria a foto do mano dizendo que era eu. E assim foi. Depois de algum tempo, suas cartas pararam. No começo, pensei que haviam sido extraviadas. Três meses depois, quase no início de férias escolares, recebi uma carta da Telma. Convidava-me a passar um fim de semana, nas férias, com a família dela. Era uma carta bem formal, mas não liguei. E fiquei aguardando, com ansiedade, o fim de semana que passaria com ela em Bauru.

No dia marcado, lá estava eu, na rodoviária de Bauru, procurando a figura de Telma entre a multidão. Nada. O tempo foi passando, e eu cada vez mais apreensivo. Já estava quase desistindo, quando uma senhora se aproximou de mim e chamou o meu nome.

O semblante de seu rosto era de tristeza. Contou-me a triste sina de Telma. Ela se fora meses antes, pois era cadeirante e sofria de leucemia. Ainda bebê, tivera paralisia infantil. Ela sempre falava de mim, o seu primeiro amor. Por isso, os pais dela fizeram questão de me convidar a passar um fim de semana na casa que fora dela.

Fiquei no quarto que lhe pertencera. Vi seus objetos. No diário, narrava a felicidade de ter me conhecido. Chorei muito.

Daquela data em diante, morria também um adolescente e nascia um homem. Eu, preocupado com as aparências, com as espinhas, enquanto ela... A última carta havia sido escrita em seu nome pela mãe.

 

*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

 Arquivo:
Aparições
Felicidade
O que apreciar na velhice
Quando o ensino público era valorizado
Para viver um casamento feliz
Que saudade do carinho de mãe!
Indiferença
Felicidade
A transformação do adolescente em homem
O templo da saudade
Bons tempos de antigamente
Lar feliz
A jovialidade
Temor
Otimismo
Os livros
Amizade
Felicidade
Obrigado, niitiyam
Criança não é bonsai
O melhor dia é hoje
Solidariedade
O olho gordo
Esperança
O egoísmo
Cultivar o otimismo
Manter a tradição
O fracasso é o início do sucesso
Desabafo
Recordações da história de uma família
Natureza buda: calma, compreensão e sorriso no rosto
Sucesso e fortuna
Querer é poder
Os bons tempos
Viver sem envelhecer
Um lugar para voltar
Despedida
A harmonia do espírito
O que merece o verdadeiro valor
Cem anos de imigração
Resultado das lutas da vida
Os inimigos da felicidade
Um mundo melhor
Sonhos muito comuns
Alquimia mental
Inveja
A vida se resume em 50 anos
O ensinamento da fábula
Não encaremos a vida com demasiada seriedade
Um lar todo seu
Por uma nova potência, sem tantas diferenças sociais
O romantismo está morrendo
A pedra filosofal
Os cinco pregos de proteção
Vestígio do alquimismo em nosso tempo
Proteja a sua casa com os
“guardas de pedra”
Devaneios de um mago wiccano
Zen e Wicca: pontos em comum
Um conven forma-se naturalmente
Aprender a viver feliz
Terapêutica Espiritual
Ritual WICCA de prosperidade
Respeitar a vida
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