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Quarta-feira, 08 de setembro de 2010

Quando o ensino público era valorizado
A gente tinha um profundo respeito pelas professoras. Hoje em dia,
é comum ver nos noticiários que um(a) professor(a) foi agredido(a) por um aluno
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

Em 1952, quando comecei a estudar, morando no campo, havia, nas proximidades da casa, três escolas do curso primário até o terceiro ano. A de Fazenda Rosa, a do Bairro Nova Fátima e a escolinha do Bairro Terceira Aliança. Estudei os dois primeiros anos na escola do Bairro Nova Fátima; o terceiro ano concluí no da Terceira Aliança.

A mais retirada da estrada onde passava regularmente o ônibus, mais conhecido como “jardineiras”, era a escola da Fazenda Rosa. A estrada não era asfaltada. Um funcionário da fazenda aguardava com a charrete a professora, que nunca faltava.

A gente tinha um profundo respeito pelas professoras. Hoje em dia, é comum ver nos noticiários que um professor ou uma professora foi agredido(a) por um aluno. As paredes das escolinhas permaneciam limpas, sem nenhuma pichação. Essas escolinhas não existem mais.

Lembro que a maioria dos nisseis da época mal sabia falar português, porque, em casa, a língua oficial era o japonês. Numa sala com três classes juntas, a professora dava aula sem que os alunos se perdessem. O ensino público era valorizado, assim como seus mestres.

Assim, fui muito bem alfabetizado. No final do ano, a professora vinha, acompanhada de um fiscal, para o exame de passagem de ano. Se o aluno não se mostrasse capaz, no ano seguinte, ele permanecia no mesmo ano. Esse negócio de passagem obrigatória de ano não existia.

O quarto ano primário era ministrado nas cidades vizinhas. Concluído o quarto ano, a gente recebia um diploma de conclusão do primário. Se quisesse continuar os estudos, a nova etapa era o ginásio. Para ingressar no curso ginasial, o aluno passava por um exame de admissão. Mais quatro anos de bons estudos. Depois do ginásio, vinha o clássico ou o científico.

Concluídos esses cursos, o aluno estava apto para a faculdade. E muito bem preparado. Realmente, as escolas de antigamente eram bem melhores.

 

*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

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