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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Num
dos contos de Goethe, há uma descrição
da choupana de um pescador, que era iluminada pela luz de um
pequeno candeeiro de prata.
As portas, o teto, o soalho, a mobília tudo na
choupana se transformava em prata pela luz do candeeiro mágico.
É assim que, muitas vezes, uma simples alma iluminada
de alegria transforma um lar pobre e torna-o mais alegre e mais
feliz.
Recebemos
uma parte maior da fortuna que o mundo nos concede a nossa volta,
quando procuramos aproveitar a riqueza da natureza e de outras
personalidades, por meio de uma alegria invisível.
Eis
um mau dia, um dia desagradável,
como geralmente dizemos. Ficaremos infelizes, porque nos molhamos
e o lustro das nossas botas manchou, ou devemos antes aprender
a pensar na maravilha das grandes forças que em todo
o universo se movimentam, em torno do nosso pequeno plane-ta,
irrompendo umas vezes em raios
de sol, outras vezes cobrindo o céu de nuvens, levantando
as águas e os orvalhos dos rios, dos lagos e das relvas,
caindo novamente em chuva, geada ou neve, permitindo, assim,
as transformações do mundo nos seus maravilhosos
ciclos?
Há beleza no céu anuviado; há uma bênção
de Deus em cada gota de chuva; há maravilhas infinitas
num simples floco de neve.
Devemos
esquecer tudo isso, devemos apenas pensar no incômodo
que nos causa o mau tempo numa ocasião em que desejaríamos
o tempo diferente, para satisfação do nosso egoísmo,
como se nos pertencesse o governo do Universo?
Conheço uma senhora que há anos que não
sai do leito e apenas vê os cimos das árvores.
Apesar disso, ela se sente tão contente e feliz, que
muitas pessoas a procuram para desabafar os seus pesares e sempre
se retiram confortadas e com mais coragem.
Oh!
Como a primavera é bonita (no verão, inverno ou
outono, conforme o caso)! Esta é a exclamação
habitual aos que a visitam, ainda que o seu corpo esteja sofrendo
as dores mais cruciantes.
E os seus olhos sorriem sempre.
Dirá
alguém que esta mulher que tem comunicado alegria e esperança
a todos os que a visitam é pobre ou infeliz, simplesmente
por se ver obrigada a não sair do quarto há tantos
anos? Não; ela alcança um triunfo maior do que
muitas mulheres ricas. Tem riqueza valiosa uma riqueza
que domina as dores, as tristezas e os desastres de todas as
espécies uma riqueza que não se destrói
que as enxurradas e as secas não prejudicam
a inestimável riqueza de uma alma cheia de sol e alegria.
A felicidade não é um acidente. Não reside
nas coisas. Não depende, como muita gente pensa, de ter
ou não ter dinheiro.
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