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Sexta-feria, 10 de setembro de 2010

Felicidade
Recebemos a fortuna do mundo quando aproveitamos a riqueza da
natureza por meio de uma alegria invisível
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

Num dos contos de Goethe, há uma descrição da choupana de um pescador, que era iluminada pela luz de um pequeno candeeiro de prata.
As portas, o teto, o soalho, a mobília – tudo na choupana se transformava em prata pela luz do candeeiro mágico. É assim que, muitas vezes, uma simples alma iluminada de alegria transforma um lar pobre e torna-o mais alegre e mais feliz.

Recebemos uma parte maior da fortuna que o mundo nos concede a nossa volta, quando procuramos aproveitar a riqueza da natureza e de outras personalidades, por meio de uma alegria invisível.

Eis um “mau dia”, “um dia desagradável”, como geralmente dizemos. Ficaremos infelizes, porque nos molhamos e o lustro das nossas botas manchou, ou devemos antes aprender a pensar na maravilha das grandes forças que em todo o universo se movimentam, em torno do nosso pequeno plane-ta, irrompendo umas vezes em raios de sol, outras vezes cobrindo o céu de nuvens, levantando as águas e os orvalhos dos rios, dos lagos e das relvas, caindo novamente em chuva, geada ou neve, permitindo, assim, as transformações do mundo nos seus maravilhosos ciclos?
Há beleza no céu anuviado; há uma bênção de Deus em cada gota de chuva; há maravilhas infinitas num simples floco de neve.

Devemos esquecer tudo isso, devemos apenas pensar no incômodo que nos causa o mau tempo numa ocasião em que desejaríamos o tempo diferente, para satisfação do nosso egoísmo, como se nos pertencesse o governo do Universo?
Conheço uma senhora que há anos que não sai do leito e apenas vê os cimos das árvores. Apesar disso, ela se sente tão contente e feliz, que muitas pessoas a procuram para desabafar os seus pesares e sempre se retiram confortadas e com mais coragem.

Oh! Como a primavera é bonita (no verão, inverno ou outono, conforme o caso)! – Esta é a exclamação habitual aos que a visitam, ainda que o seu corpo esteja sofrendo as dores mais cruciantes.
E os seus olhos sorriem sempre.

Dirá alguém que esta mulher que tem comunicado alegria e esperança a todos os que a visi­tam é pobre ou infeliz, simplesmente por se ver obrigada a não sair do quarto há tantos anos? Não; ela alcança um triunfo maior do que muitas mulheres ricas. Tem riqueza valiosa – uma riqueza que domina as dores, as tristezas e os desastres de todas as espécies – uma riqueza que não se destrói – que as enxurradas e as secas não prejudicam – a inestimável riqueza de uma alma cheia de sol e alegria.
A felicidade não é um acidente. Não reside nas coisas. Não depende, como muita gente pensa, de ter ou não ter dinheiro.

 

*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

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Indiferença
Felicidade
A transformação do adolescente em homem
O templo da saudade
Bons tempos de antigamente
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Felicidade
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Criança não é bonsai
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Natureza buda: calma, compreensão e sorriso no rosto
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Viver sem envelhecer
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A pedra filosofal
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Proteja a sua casa com os
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Devaneios de um mago wiccano
Zen e Wicca: pontos em comum
Um conven forma-se naturalmente
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Terapêutica Espiritual
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