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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Em
fins de julho de 2008, na ocasião da entrega do 20º
Troféu HQ MIX, comentei com Cláudio Seto que estávamos
no fim da carreira, devido às muitas homenagens que estávamos
recebendo. Seto era o grande homenageado da noite, como também
outros desenhistas nisseis, em homenagem ao centenário
da imigração japonesa, e eu estava no meio.
Eu
já havia recebido o prêmio Jayme Cortez como grande
mestre do HQ. Um documentário, patrocinado pela Petrobras,
sobre a minha passagem pelo cinema nacional, denominado Minami
em Close-up, foi concluído e o diretor até ganhou
um prêmio no Festival de Brasília.
Em
novembro deste mesmo ano, Seto foi para o andar de cima.
Até pouco tempo, eu não era conhecido, principalmente
na colônia. Shigueyuki Yoshikuni, jornalista, conhecendo
os meus trabalhos, começou a me divulgar
nos meios de comunicação em que trabalhava, principalmente
nos jornais nikkeis.
Anteriormente,
Franco da Rosa, outro jornalista e desenhista de HQ, escreveu
diversas matérias sobre mim na Folha da Tarde. Gonçalo
Júnior, também jornalista, escreveu um livro sobre
a Edrel, empresa fundada por mim, na década de 60, que
foi a primeira editora a enveredar nos caminhos do mangá,
um marco na história dos quadrinhos brasileiros. Essa
obra trata também de Cláudio Seto que,
da mesma forma, foi pioneiro do mangá no Brasil ,
deve ser editada ainda neste ano.
Creio
que dei o melhor de mim em todas as áreas pelas quais
passei, como mangaká (desenhista de mangá), como
editor, como escritor e como astrólogo. Mas todo o meu
sucesso aconteceu porque tive, em cada colega, cada amigo, um
grande mestre. Posso dizer que tive muitos mestres. Entretanto,
eles estão indo embora e deixando um rastro de saudade.
E, no templo dessa saudade, eu oro.
Há
muitas pequenas histórias entre mim e Seto. Como editor
da Grafipar, editora de Curitiba, Seto procurava novos roteiristas
de HQ. Então, como ilustre desconhecido, eu me aventurei
e lhe mandei um roteiro assinando como mulher: Rose West. Dias
depois, recebi uma carta do Seto para Rose West, com grandes
elogios e solicitando mais roteiros.
A
partir daí, os meus roteiros foram desenhados por Shimamoto,
Flavio Colyn e Gustavo Machado. Quando a Grafipar não
existiu mais, anos mais tarde, eu contei a Seto que Rose West
era eu. Ficaram os meus roteiros desenhados por esses mestres,
mais tarde republicados por uma editora de São Paulo.
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