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Sábado, 13 de março de 2010

O templo da saudade
Todo o meu sucesso aconteceu porque tive, em cada colega, cada amigo, um grande mestre
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

Em fins de julho de 2008, na ocasião da entrega do 20º Troféu HQ MIX, comentei com Cláudio Seto que estávamos no fim da carreira, devido às muitas homenagens que estávamos recebendo. Seto era o grande homenageado da noite, como também outros desenhistas nisseis, em homenagem ao centenário da imigração japonesa, e eu estava no meio.

Eu já havia recebido o prêmio Jayme Cortez como grande mestre do HQ. Um documentário, patrocinado pela Petrobras, sobre a minha passagem pelo cinema nacional, denominado Minami em Close-up, foi concluído e o diretor até ganhou um prêmio no Festival de Brasília.

Em novembro deste mesmo ano, Seto foi para o andar de cima.
Até pouco tempo, eu não era conhecido, principalmente na colônia. Shigueyuki Yoshikuni, jornalista, conhecendo os meus trabalhos, começou a “me divulgar” nos meios de comunicação em que trabalhava, principalmente nos jornais nikkeis.

Anteriormente, Franco da Rosa, outro jornalista e desenhista de HQ, escreveu diversas matérias sobre mim na Folha da Tarde. Gonçalo Júnior, também jornalista, escreveu um livro sobre a Edrel, empresa fundada por mim, na década de 60, que foi a primeira editora a enveredar nos caminhos do mangá, um marco na história dos quadrinhos brasileiros. Essa obra trata também de Cláudio Seto – que, da mesma forma, foi pioneiro do mangá no Brasil –, deve ser editada ainda neste ano.

Creio que dei o melhor de mim em todas as áreas pelas quais passei, como mangaká (desenhista de mangá), como editor, como escritor e como astrólogo. Mas todo o meu sucesso aconteceu porque tive, em cada colega, cada amigo, um grande mestre. Posso dizer que tive muitos mestres. Entretanto, eles estão indo embora e deixando um rastro de saudade. E, no templo dessa saudade, eu oro.

Há muitas pequenas histórias entre mim e Seto. Como editor da Grafipar, editora de Curitiba, Seto procurava novos roteiristas de HQ. Então, como ilustre desconhecido, eu me aventurei e lhe mandei um roteiro assinando como mulher: Rose West. Dias depois, recebi uma carta do Seto para Rose West, com grandes elogios e solicitando mais roteiros.

A partir daí, os meus roteiros foram desenhados por Shimamoto, Flavio Colyn e Gustavo Machado. Quando a Grafipar não existiu mais, anos mais tarde, eu contei a Seto que Rose West era eu. Ficaram os meus roteiros desenhados por esses mestres, mais tarde republicados por uma editora de São Paulo.

 

*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

 Arquivo:
O templo da saudade
Bons tempos de antigamente
Lar feliz
A jovialidade
Temor
Otimismo
Os livros
Amizade
Felicidade
Obrigado, niitiyam
Criança não é bonsai
O melhor dia é hoje
Solidariedade
O olho gordo
Esperança
O egoísmo
Cultivar o otimismo
Manter a tradição
O fracasso é o início do sucesso
Desabafo
Recordações da história de uma família
Natureza buda: calma, compreensão e sorriso no rosto
Sucesso e fortuna
Querer é poder
Os bons tempos
Viver sem envelhecer
Um lugar para voltar
Despedida
A harmonia do espírito
O que merece o verdadeiro valor
Cem anos de imigração
Resultado das lutas da vida
Os inimigos da felicidade
Um mundo melhor
Sonhos muito comuns
Alquimia mental
Inveja
A vida se resume em 50 anos
O ensinamento da fábula
Não encaremos a vida com demasiada seriedade
Um lar todo seu
Por uma nova potência, sem tantas diferenças sociais
O romantismo está morrendo
A pedra filosofal
Os cinco pregos de proteção
Vestígio do alquimismo em nosso tempo
Proteja a sua casa com os
“guardas de pedra”
Devaneios de um mago wiccano
Zen e Wicca: pontos em comum
Um conven forma-se naturalmente
Aprender a viver feliz
Terapêutica Espiritual
Ritual WICCA de prosperidade
Respeitar a vida
As cores da respiração
Os poderes lendários dos magos
Influências e virtudes, segundo os wiccanos
Chás e infusões sem mistérios
A magia dos 4 elementos
Natureza e seus talismãs
Simbolismo e influência das cores
O simbolismo das pedras
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