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Complicamos
as mudanças, pensando que elas vão acontecer somente
porque são desejadas. Isso nem sempre é verdadeiro
e raramente dá certo. Mais importante que o desejo é
o comprometimento com a mudança.
Outra maneira eficiente de complicar as mudanças é
pensar em demasia no que os outros vão sentir ou pensar
em razão da sua transformação. É
ingenuidade supor que todo mundo se sentirá bem com a
nossa mudança. É lógico que algumas pessoas
vão comemorar o nosso bem-estar, mas pode ser que outras
se sintam ameaçadas...
Sabotar as transformações significa pensar somente
na mudança desejada, sem relacioná-la com a situação
global. Por exemplo, alguém que tem uma família
grande e trabalha muito pode dizer: Vou parar de trabalhar.
Após certo tempo, sem dinheiro, diz a si mesmo: É,
eu tenho que trabalhar muito para viver.
Outra maneira de complicar a mudança é achar
que ela vai acontecer espontânea e instantaneamente. Muitas
vezes, para mudar, é importante lutar contra os nossos
hábitos. Por exemplo, a mudança de alguém
que costuma explodir, briga com todo mundo que ama e, quando
se percebe solitário, corre para recuperar as amizades,
só vai acontecer depois que aprender a lutar contra seu
hábito de explodir por qualquer coisa.
Portanto, a disciplina é fundamental para qualquer processo
de mudança. Todos os seres humanos nascem plenos de seus
potenciais, como príncipes felizes. Depois
começam a escutar os nãos (a maioria
deles sem motivos reais) e a se rebelar contra a repressão,
tornando-se príncipes infelizes. Após
tanto lutar contra esse sistema, acabam desistindo e tornando-se
sapos cômodos.
Mais tarde, vem o vazio existencial. Não saber ainda
como fazer o desejado, mas estar insatisfeito com a maneira
antiga é um ponto crucial do processo.
É fundamental predispor-se a não continuar usando
os disfarces antigos, as mesmas manipulações de
sempre, os mesmos jogos. Saia para um contato autêntico
e espontâneo com as pessoas para viver plenamente e com
autonomia sua própria vida.
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